16 fevereiro, 2015

Carta para a escritora.

Elizabeth,
Tudo bem?
Li a sua matéria sobre frustração em busca de um bote salva vidas para me tirar dessa morte horrível que é se sentir incapaz.
Sou uma mulher jovem, universitária de 19 anos e proporcionalmente ambiciosa. Mas não ambiciosa de forma ruim, mas daquela forma boa, de ter estabilidade e segurança emocional ou material; coisa que não tive em toda a minha vida. Meus pais se separam logo cedo, e a minha casa e família sempre foram degradantes e instáveis...não de propósito acredito, mas por carregarem suas pesadas mágoas e cicatrizes. Eles tentaram o seu melhor, ainda que esse melhor fosse tão dilacerado. Minha defesa me resguardar com o silêncio, com a resistência as coisas ruins faladas e feitas, me fechar como uma fortaleza fria e funcionando como uma fábrica que nunca para; e jamais fugir, ver as coisas como elas são. Enfrentar da forma mais fácil, vendo a realidade. É a minha defesa, sempre foi. 
As pessoas nunca gostaram muito de mim, e as que gostaram não sabiam quem eu era. E as que eu gostei, quando me viram de verdade foram embora. Amizades, pequenos relacionamentos, família. É um luping infinito de abandonos, de mim e pelos outros. Cada um deles sendo empregados na minha grande fortaleza fria e enorme. Isolados.
Arrumei um emprego aos 17 e aquela sensação de poder desbravar o mundo era tudo. Meu ego tão frágil, quis liberdade e eu voei. Vi a oportunidade de me libertar de toda dor, e me sentir realizada, de ter estabilidade, de ser uma pessoa sólida, ah meu deus esse é o meu sonho...Eu quis muito, eu quis tudo. Duas promoções depois e eu era o sol naquela empresa, não deu tempo de sentir mais nada e por isso perdi muita coisa. Logo, estagnei afinal a vida não é assim como nas novelas, mas ainda sim em meu dia a dia galgava novas oportunidades. Otimista. Paralelamente a isso, conheci um homem qual me apaixonei, amor de moça virgem, que não sabe de nada. Me entreguei vivi e um tempo depois passou, eu estava focada em mim e aquilo não era importante, e sendo assim eu parti. Inacreditável passei mais um tempo junto dele após meus sentimentos terem ido embora. A estabilidade me prendia, e eu sofri. Sofri porque eu não conseguiria mais manter aquela estabilidade, e a frustração veio forte. Tentei segurar, e suportei durante algumas semanas. Em meio a isso, houve uma outra supor oportunidade de crescimento e me engajei. Fui extremamente bem nos testes, recomendada e a vaga era minha, cada célula do meu corpo sabia. Se tivesse jogado na mega sena de tão positiva poderia ter ganhado sozinha, e inesperadamente eu não consegui a vaga. Desabei, chorei, não comi, não falei, praguejei, morri, eu não era o sol, era no máximo um lixo espacial. Meu mundo caiu. No feedback, soube que os meus acessos na empresa haviam sido fraudados por uma situação que devo acrescentar, não teve nada haver comigo, e eu não poderia fazer nenhum outro tipo de processo naquela organização. E aquela dor era terrível, minha fortaleza era um nada, e ela pegava fogo, as labaredas queimavam meus olhos. Tanto tempo, me dedicando, me empenhando, lutando, perdendo e persistindo, pra isso. A notícia boa era que eu poderia continuar no meu cargo pra sempre. Noticia que não era tão boa assim pois não nasci pra estagnar. Levando em conta que tudo em mim havia rompido, botei um fim no relacionamento frustrante e tentei me conformar com o que era me dado. Entendo que é preciso olhar pra baixo, e ver que ainda sim não era tudo ruim. Reconstruí uma casa, meio fraca, e guardei de novo lá as coisas ruins; minhas frustração com o trabalho, com o fato de não poder crescer e ver meus colegas de trabalho subindo, em ter destruído as minhas amizades por ser assim tão péssima. Me dediquei mais a faculdade, nas coisas boas que ainda haviam. E estranhamente tropecei com um anjo, de olhos chocolate, cabelo exótico, e pureza na fala. Ele me contagiou e eu esqueci de tudo que era ruim, havia esperança em todo lugar quando estávamos juntos. Descobri que por sermos quebrados, éramos e somos a cura um pro outro. E ele desde então tem me ajudado e superar e me dado mil motivos pra sorrir e tentar. É uma chama que nunca apaga, porque a alimentamos todos os dias.
Vivendo esse amor, aconteceram mais algumas coisas. Fui convidada a sair de casa devido a má convivência com minha incrível mãe, e isso foi difícil de agüentar. Querer sair é uma coisa e ser mandada é outra. Desamparo era meu maior sentimento. E me senti frustrada de novo porque as coisas eram extremamente Fodas na minha merda de vida. Suportei, tudo, mas somente porque havia sincero amor e apoio da parte do anjo da minha vida,; tal que me deixava forte e próxima de sentimentos bons e isso bastava para atravessar essa tempestade, e atravessei sorrindo. Os meses passaram e minha incrível mãe implorou que eu retornasse pra casa e vim, em seguida descobri sobre a sua gravidez e do apoio que eu deveria lhe dar. Fiquei em choque. Mas ok.
Como se não bastasse, certa manhã reluzente, cheia de normalidade e costumeiro otimismo, fui demitida. Só conseguia pensar: Não! Não! Não!. Precisava bancar a faculdade, e ajudar em casa mais ainda agora, nossa minha cabeça girava. Muito. Eu ia desmaiar e a dor rasgava minhas entranhas. Ódio, e o gosto de ferro encheu minha boca. "Vou matar essa vadia, ela não pode fazer isso comigo, não depois de tudo que dediquei a essa droga de lugar" e foi necessário todo o meu auto controle para que eu não destruísse aquele escritório, apenas um "porque?" saiu de meus lábios e eu soube que foi devido ao meu sistema com problema e a um corte de custos. Eu era um "corte de custos" para aquela prostituta velha organização empresarial. Ok. Tudo bem. Respirei. Fiquei reconfortada com a notícia de que mais outros haviam sido demitidos e revoltada porque alguns precisavam do emprego tanto quanto eu. Isso não atenuou completamente a frustração. Recebi todos os direitos, fiz coisas importantes com o dinheiro, estou assegurada financeiramente durante alguns meses, mas, eu me sinto incapaz. Minha casinha quebrou de novo. Tenho acessos de mau humor, de impaciência, e de vez em quando sinto aquelas chamas queimando em minha garganta passeando pelos meus olhos. Tem sido difícil. 
Meu anjo tem sido muito paciente e amoroso, tem me ajudado a ver qual o meu erro. Confio nele, pois ele foi o único que me viu em todas as faces e não se foi. Cheguei a conclusão de que sou eu. Sou egoísta, individualista, e auto sabotadora. Sou o katrina feito de frustração. Insatisfeita. Tudo se trata de mim o tempo todo e nossa, eu não quero me frustrar dessa forma esvairecida, quero saber lidar com tudo isso que é a vida. Não quero guardar. Quero saber administrar o meu otimismo e a minha ambição. Quero viver direito. Quero sentir as coisas, de forma agradável, como eu sinto o amor. 

E agora?
Desculpa o texto, enorme. 

Atenciosamente,

Thamires q.

Enviada do meu iPhone

02 fevereiro, 2015

Não há mais ninguém

Tudo que eu sempre quis foi alguém como ele, alguém normal e calmo. Iguais e opostos, sem conflitos, só compreensão. Amável sem complicações, alguém que doasse amor sem medo, que não me desse medo. Um tal que me passasse segurança, que fosse apenas o amor em mim...e encontrei, esbarrei, me enviaram.
Porque quando o olho, quando sinto seu hálito acariciar minha pele com coisas do dia a dia; tudo se transforma e transbordo carinho pelos teus traços, pela tua maré. E quando está triste, quando me vem com aqueles olhos de chocolate, meu amor, é uma angústia. Queria poder ajudá-lo a sentir teus receios. Pois, quero dar lhe toda alegria do mundo em um embrulho bem bonito. Quero o sucesso deste homem tanto quanto o meu. Quero saborear todos os sorrisos e conquistar cada etapa ao lado dele. 
Queria que esse menino soubesse que de todas as vezes que me encantei, nenhuma delas pude sentir o que vem dele pra mim, o entendimento sem esforço, o zelo, a afeição, a atração. Ele é minha lua e eu sou o seu satélite, é além da carne. Ninguém me olhou como ele me olha e ninguém foi capaz de me fazer imaginar e desejar a vida assim, do jeito que sonhamos juntos. Sei que é único porque nada assim passa despercebido, não é um sentimento banal.
Porque mesmo soando clichê, sabemos claramente que "depois desse amor, não há mais ninguém".