03 maio, 2013

Nascidos no beco.

Eu nasci sob o céu dos loucos
Dos que temem o amor e temem amar demais,
Esse amor sujo que nenhuma pureza traz, como já dizia Cazuza
Aquele homem, menino e rapaz;
Amor que se doa com e na mesma hora sem paz;
Nascemos sob a regência de Júpiter, dos planetas desalinhados;
Desses jovens encorajados;
Por um sopro de mulher, de homem, de tudo, esses todos tolos;
Dos filósofos entregues ao pensamento sonhador de utopias,
Nasci como esses mendigos, em um beco insuportável e sem saída,
Eu nasci à mercê do ar, limpo e sombrio, de quem em carne viva, ama o imaginário;
O que é e o que ainda será; o que habita a melodia, o que me entoa dia a dia;
Ama o entalhado, ama o que em tardes chuvosas como aquelas,
Em noites conturbadas como as que se foram;
Rouba de si o artista; arranca de si aquele tal;
E entrega pro outro o melhor que pode ser, sem pudor, eu, você;
Tente entender, que pra mudar os nascidos deste universo,
Pra atribuir a estes poucos um pouco de amor, sincero então;
Tem que ser desmedido, amor sem nenhum consolo, amor de nenhuma e toda estação;
Pra estes arruinados, destinada talvez seja a destruição, que aceitem;
Mas ainda sim, vale-me tudo, pois é amor pra sempre enquanto é.
Esse amor estranho, que não se carrega com as mãos,
Somente amor que me tome o corpo, poético e escrito, me use e talvez me abandone;
Eu e os loucos nascidos,
Esses apaixonados quem dera, não em vão.


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