30 maio, 2013

Filha de um francisco.

Vidas e sequencias, vidas não são vidas sem sequencias de acontecimentos. As de sempre, obviedades.
Sou uma sequencia, filha de francisco. Um francisco. Um circuito de consequências, entregue e tomado.
Embora sempre possamos desejar que as sequencias sejam consequências de nossos humanos planos, elas frequentemente nos agridem e nos abraçam em seguida pra mostrar, que no bolso do tempo, estão as surpresas, e as incertezas, a vida crua, nua e obscena, esse emaranhado inconstante que é acordar todas as manhas e tomar meu café, hoje um tanto frio demais. 
As palavras são secas e me chicoteiam quando caem pela garganta, mas com um pouco de água limpa, respiro o pensamento, escuto o silencio e fica simples e respeitável engolir o sentimento parnasiano, e abriga-lo como deve ser, em algum lugar do meu amago. 
Fugirei,talvez esse tal, dentro de mim. Tornando, melhor que ontem, pior que amanha, só sendo, ate não ser. Eis você ai vida. 
Levo o bom, meu bom, eu sou, eu sinto, eu o crio, mastigado e engolido por mim, amável delicioso amor. Venha me mostrar vida.
Queria eu ser caçador de bolsos, e não vitima aceita e certa, desse rumo sem fundo. É Pra sempre o Tempo.

               

                       Enquanto,
                       

                                       Thamires Queiroz.




03 maio, 2013

Nascidos no beco.

Eu nasci sob o céu dos loucos
Dos que temem o amor e temem amar demais,
Esse amor sujo que nenhuma pureza traz, como já dizia Cazuza
Aquele homem, menino e rapaz;
Amor que se doa com e na mesma hora sem paz;
Nascemos sob a regência de Júpiter, dos planetas desalinhados;
Desses jovens encorajados;
Por um sopro de mulher, de homem, de tudo, esses todos tolos;
Dos filósofos entregues ao pensamento sonhador de utopias,
Nasci como esses mendigos, em um beco insuportável e sem saída,
Eu nasci à mercê do ar, limpo e sombrio, de quem em carne viva, ama o imaginário;
O que é e o que ainda será; o que habita a melodia, o que me entoa dia a dia;
Ama o entalhado, ama o que em tardes chuvosas como aquelas,
Em noites conturbadas como as que se foram;
Rouba de si o artista; arranca de si aquele tal;
E entrega pro outro o melhor que pode ser, sem pudor, eu, você;
Tente entender, que pra mudar os nascidos deste universo,
Pra atribuir a estes poucos um pouco de amor, sincero então;
Tem que ser desmedido, amor sem nenhum consolo, amor de nenhuma e toda estação;
Pra estes arruinados, destinada talvez seja a destruição, que aceitem;
Mas ainda sim, vale-me tudo, pois é amor pra sempre enquanto é.
Esse amor estranho, que não se carrega com as mãos,
Somente amor que me tome o corpo, poético e escrito, me use e talvez me abandone;
Eu e os loucos nascidos,
Esses apaixonados quem dera, não em vão.