19 março, 2013

Esse querer.

E clamam. Essa legião toda em mim. Absorvem meus tecidos e dançam sob a pele um ritmo novo. Eu contenho quando devo, e deixo ser quando posso. Isso é querer.
Querer alguém, querer pra si, por si, entre si. Incontroláveis, infindáveis e inconstantes pensamentos jogados em um gramado verde, cor de esperança, esperança pra nós. Hora quente, hora paixão, hora tudo isso em um olhar. Ou somente a pintura modernamente renascentista do teu rosto é o meu termômetro. És o impossível, dentro e fora. Me perco na musica, cantarolando a melodia dessa felicidade clandestina. Que habito é ter essa felicidade pairando sobre a minha pessoa. É tranquilo e dominante, permitimos.
Envergonho-me? não mais. Vergonha é não querer. Vergonha é não ser pro outro um pedaço do seu ser, um membro invisível que transborda o espirito. Vergonha é não sentir o ciumes na boca, e a saudade remoendo dos pés a alma. O meu desespero desvairado, é a minha migalha nessa tarde de dentes trincados. Eu preciso, não eu, mas a legião em mim. As melhores partes.
Com certeza, finjo-me poeticamente insana, um tanto apaixonada e ate que seja imprudente, quando o assunto é desejo. E quem não é? Quem não come desejo, não faz promessas malucas, não vaga na lua, não abandona a infância, não experimentou o melhor sabor do mundo.
O melhor desejo é o mastigado, que te maltrata e você gosta, cultiva, esse que quando tem fim, se torna apenas o começo de um desencadeamento. Eu estou nas mais belas praias, eu estou no frio mais perfeito, eu estou em todo lugar. Eu sou cosmopolita quando há desejo em mim. E quem não é?
Sociedade boba que reprime os desejos. Desejo reprimido é desejo fajuto. Quem deseja com verdade, não ignora assim, como quem nunca quis. Desejo quando te toma, lhe fala com os olhos. Tudo azul, tudo extremamente bem, levo o passageiro inquieto, vem querido, esse meu querer.