02 junho, 2013

Pagina em branco.

Uma planície em branco. Este mesmo em que escrevo, reflete o meu estado.
A unica cor que há são as dos meus sentimentos, e esses ninguém pode ver. Nem mesmo as pessoas que amo, conseguem ver as mesmas cores que eu. Estou em outra sintonia, sou daltônica no amor, na amizade, cores filhas da puta, desbotadas sempre tingem minha vida. Não engulo essa arte, beberia esta de gole em gole, se desse.
Só sei que viver com isso, com essa aquarela solitária, é pesado demais pra mim. Por enquanto, esse vento me pinta pro norte. Doloroso demais, caminhante demais, realista demais. Mas eu sempre vou, obedeço o "deixe estar" .
Talvez esta seja a sina de quem vive no erro desacertado, e se permite pecar um pouco de cada pecado todas as tardes de sua errática historia. Sinas de metamorfoses ambulantes como eu, que vão deixando um pouco de sua cor em cada quadro pintado.
Sou uma rasgada pagina em branco, sempre fui, e agora necessito ser mais do que nunca. Folha amassada que bola pela vida, eu preciso ser. Precisamos do nude, meu amor, pra manter o mundo em ordem, por hora, precisam. Afinal, branco é sinônimo de cuspir o real nos outros.
Deveras essa atual realidade, fruto do dia a dia, feliz esse é o preço que pago por me permitir viver um sol amarelo. Fruto bendito, maldito, fruto que era, fruto que me mudou.
Como viveria sem o branco agora, sem o pleonasmo metódico, sem a paz da minha alma agora calada, que em tanto tempo agora reside quieta, tranquila e ate meio sem graça, tanto que nem se parece com quem vos escreve. Essa paz desgraçada e muito, que me faz questionar onde está a minha inconstância, e se é mesmo essa mudez, que deve me alimentar nos próximos dias, meses e anos.
Uma folha branca na grama, tão pálida e ao mesmo tempo tão cheia de vida refletida, refletida porem só pra quem sabe enxergar cor onde não há. Talvez sejamos nós, leitores do nada, do branco, esses observadores de cores inexistentes, que alimentem as cores. Sonhadores são escravos das cores, dos mitos de cores. 
Me prendo a uma folha fodida que voa pro tempo, de volta pra ele, de onde ela nunca saiu. Folha que é arte abstrata no momento, folha que anceia o pouco por agora, que não quer sentir demais, pra não cansar. Folha que se casou com o nada e faz amor com o sentimento mais sincero do silencio. Essa miserável folha, que mesmo questionando a estrada que esta tomando, prefere ficar muda, pro bem, pro pódio de chegada, pra dar mais tesão e ouvir melhor o seu futuro.
São quatro e meia da manha, e talvez daqui a pouco seja hora de voltar a transcender os meus rascunhos.


30 maio, 2013

Filha de um francisco.

Vidas e sequencias, vidas não são vidas sem sequencias de acontecimentos. As de sempre, obviedades.
Sou uma sequencia, filha de francisco. Um francisco. Um circuito de consequências, entregue e tomado.
Embora sempre possamos desejar que as sequencias sejam consequências de nossos humanos planos, elas frequentemente nos agridem e nos abraçam em seguida pra mostrar, que no bolso do tempo, estão as surpresas, e as incertezas, a vida crua, nua e obscena, esse emaranhado inconstante que é acordar todas as manhas e tomar meu café, hoje um tanto frio demais. 
As palavras são secas e me chicoteiam quando caem pela garganta, mas com um pouco de água limpa, respiro o pensamento, escuto o silencio e fica simples e respeitável engolir o sentimento parnasiano, e abriga-lo como deve ser, em algum lugar do meu amago. 
Fugirei,talvez esse tal, dentro de mim. Tornando, melhor que ontem, pior que amanha, só sendo, ate não ser. Eis você ai vida. 
Levo o bom, meu bom, eu sou, eu sinto, eu o crio, mastigado e engolido por mim, amável delicioso amor. Venha me mostrar vida.
Queria eu ser caçador de bolsos, e não vitima aceita e certa, desse rumo sem fundo. É Pra sempre o Tempo.

               

                       Enquanto,
                       

                                       Thamires Queiroz.




03 maio, 2013

Nascidos no beco.

Eu nasci sob o céu dos loucos
Dos que temem o amor e temem amar demais,
Esse amor sujo que nenhuma pureza traz, como já dizia Cazuza
Aquele homem, menino e rapaz;
Amor que se doa com e na mesma hora sem paz;
Nascemos sob a regência de Júpiter, dos planetas desalinhados;
Desses jovens encorajados;
Por um sopro de mulher, de homem, de tudo, esses todos tolos;
Dos filósofos entregues ao pensamento sonhador de utopias,
Nasci como esses mendigos, em um beco insuportável e sem saída,
Eu nasci à mercê do ar, limpo e sombrio, de quem em carne viva, ama o imaginário;
O que é e o que ainda será; o que habita a melodia, o que me entoa dia a dia;
Ama o entalhado, ama o que em tardes chuvosas como aquelas,
Em noites conturbadas como as que se foram;
Rouba de si o artista; arranca de si aquele tal;
E entrega pro outro o melhor que pode ser, sem pudor, eu, você;
Tente entender, que pra mudar os nascidos deste universo,
Pra atribuir a estes poucos um pouco de amor, sincero então;
Tem que ser desmedido, amor sem nenhum consolo, amor de nenhuma e toda estação;
Pra estes arruinados, destinada talvez seja a destruição, que aceitem;
Mas ainda sim, vale-me tudo, pois é amor pra sempre enquanto é.
Esse amor estranho, que não se carrega com as mãos,
Somente amor que me tome o corpo, poético e escrito, me use e talvez me abandone;
Eu e os loucos nascidos,
Esses apaixonados quem dera, não em vão.


19 março, 2013

Esse querer.

E clamam. Essa legião toda em mim. Absorvem meus tecidos e dançam sob a pele um ritmo novo. Eu contenho quando devo, e deixo ser quando posso. Isso é querer.
Querer alguém, querer pra si, por si, entre si. Incontroláveis, infindáveis e inconstantes pensamentos jogados em um gramado verde, cor de esperança, esperança pra nós. Hora quente, hora paixão, hora tudo isso em um olhar. Ou somente a pintura modernamente renascentista do teu rosto é o meu termômetro. És o impossível, dentro e fora. Me perco na musica, cantarolando a melodia dessa felicidade clandestina. Que habito é ter essa felicidade pairando sobre a minha pessoa. É tranquilo e dominante, permitimos.
Envergonho-me? não mais. Vergonha é não querer. Vergonha é não ser pro outro um pedaço do seu ser, um membro invisível que transborda o espirito. Vergonha é não sentir o ciumes na boca, e a saudade remoendo dos pés a alma. O meu desespero desvairado, é a minha migalha nessa tarde de dentes trincados. Eu preciso, não eu, mas a legião em mim. As melhores partes.
Com certeza, finjo-me poeticamente insana, um tanto apaixonada e ate que seja imprudente, quando o assunto é desejo. E quem não é? Quem não come desejo, não faz promessas malucas, não vaga na lua, não abandona a infância, não experimentou o melhor sabor do mundo.
O melhor desejo é o mastigado, que te maltrata e você gosta, cultiva, esse que quando tem fim, se torna apenas o começo de um desencadeamento. Eu estou nas mais belas praias, eu estou no frio mais perfeito, eu estou em todo lugar. Eu sou cosmopolita quando há desejo em mim. E quem não é?
Sociedade boba que reprime os desejos. Desejo reprimido é desejo fajuto. Quem deseja com verdade, não ignora assim, como quem nunca quis. Desejo quando te toma, lhe fala com os olhos. Tudo azul, tudo extremamente bem, levo o passageiro inquieto, vem querido, esse meu querer.


15 fevereiro, 2013

Deus, fé e outros desertos.

Eu não acredito no deus que as pessoas idealizam. Nem nas religiões, e não concordo com o poder que a religião tem sobre a sociedade antiga, atual e ainda que será, futura. Paradoxo ou não, também não acredito em quem diz com plena certeza que deus não existe. E nem sei se tenho cacife para crer.
Não levo a bíblia como uma seriedade, admito que é interessante,  li e vivi na pele o que chamam "estar em comunhão com deus" seja lá qual ele for e o que vi na época; fato é que não sei se é verdadeira as transcrições da bíblianão tenho como saber. 
Tenho fé, MUITA alias, é visível em mim, fé no eu, no amor, fé na força de vontade, na luz de todas as manhas que me despertam, na minha força interior que se expande através dos meus olhos, e no poder que isso tem sobre o universo que eu idealizo e quero que se concretize, nos ideais, fé no meu próprio centro do mundo, em mim, na solidão sóbria de saber que nesta paisagem interna e subvertida, só eu me escuto e me resolvo por enquanto. Tenho fé na existência de cada alma, unica e essencial. Ter fé é diferente de ter religião.
Acho o ateísmo tão dogmático quanto o teísmo, afirmam existir um deus e não afirmam com a mesma petulância. Quem sou eu pra achar alguma coisa? Quem és tu, demasiado humano pra ter o poder de afirmar? não posso e não vou. Não nego que possa existir, mas; também não afirmo, como dizia o filosofo  "Só sei que nada sei" e acrescento mais; posso ate ser covarde e comoda, mas tenho certeza que quando se vê as coisas de fora, a visão é amplificada, ou talvez pra alguns; só confusa demais. Verdade é que pensei e vou pensar durante a minha vida inteira, sobre.
O pouco que vi sobre o agnosticismo, percebi; que ate pra se rotular de algo assim é preciso queimar os rótulos, não se denominar. E assim faço.
Eu acredito na verdade do agora, na verdade dessa vida que é  uma, na verdade simples que assim como o tempo, não tem começo e nem fim. E nem ninguém o controlando. Iludida mesmo, é a religião que pensa ser o relógio do tempo. 
Eu creio em cabeças abertas o suficiente pra ver que ninguém é dono de nenhuma verdade, e que essa verdade, pode nem ser védica. Tudo apenas existe pra nós.

Mas pensando bem, será que existe mesmo o "não existir" ?! no fim, ninguém sabe de nada.


31 janeiro, 2013

De não-limitados, será que o inferno está cheio?


Você já pecou, sim, não?! como tem certeza!? Defina pecar... alguém?!
Já comi um punhado da irá, me deixando enlouquecer pela raiva, pisoteando qualquer motivo pra me levar a lucidez, dando espaço a selvageria literalmente. Já encostei minha cabeça junto a inveja e contei a ela toda a minha insatisfação por não ter um corpo igual ao daquela moça, ou simplesmente me indignei com o fato de fulano ter algo que merecia ser meu. Já comi um chocolate inteiro só pra não dividir com ninguém. Já falei coisas pra machucar, e trai a confiança mesmo sabendo o que era o certo a fazer. Constantemente me importei só comigo e lutei só por mim, usando argumentos sórdidos pra me sobressair. Já fiz e desfiz levando na brincadeira. Perdi as contas de quantas vezes quis matar pessoas somente pelas escrotices faladas. Já cedi ao prazer, e me declinei por fugaz desejo. Já me afundei e amei estar afundada. Já me entreguei ao que a sociedade ensinou ser algo errado, ao que meus pais abominam e mesmo assim vivo em paz, feliz como nunca fui. Já orei pra deus pedindo vida, já orei pra deus pedindo morte. Já orei pra deus nenhum, e sim já xinguei "o" Deus nenhum. Acordo cada dia mais com uma estranha falida não pertencente, e incapaz de "ser" o que a própria família precisa. Já reconheci erros e os cometi novamente, um ciclo vicioso. Já senti, fui e sou ninguém que ainda não fez nada. Já sei que todos pecaram assim e acho graça. E o pior de tudo? é que não me sinto errada. Sou "humana demasiada humana" como diria Nietzsche, e de alguma forma tudo é valido não é?! pensando de um jeito otimista coisas assim ajudam a transcender, se é que há alguma forma de transcender essa casca idiota vulgo humanidade. Talvez esse seja o meu maior delito; Acreditar que todo pecado pode ser justificado. 
Em mim vejo todos os tipos de pecado, mas afinal quem sou eu pra anunciar tal coisa?
E ai me pergunto...Independente de religião, -esqueçam por um minuto essa estereotipagem por favor- digo no intimo, no interno do que você imagina pra si; pra onde vai tudo isso? céu ou inferno? Aonde diabos está o meu paraíso
Poderia nomear o paraíso neste momento. Poderia nomeá-lo como a semana passada ou amanha. Os dias que eu sorri por sorrir e gritei de raiva seca. Aos dias ambíguos como hoje, poderia compara-lo a sensação rica dos beijos que ganho mesmo sendo miserável, a tormenta de uma noite adoentada de saudade do que chegarei a ser um dia ou ao céu colorido de horror. O paraíso é a vida e o som da voz da sua irmã. Este é o paraíso que conheço, o meu paraíso são os meus pecados diários.
Que paraíso é este? Será que vale a pena mesmo limitar o hoje, sendo que á uma possibilidade do meu paraíso ser só agora? Será que querem, desejam de nós a limitação do hoje? O medo de pecar?


24 janeiro, 2013

União escrita de Vinicius.

Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu...Porque a vida só se dá pra quem se deu, ou pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu!
É claro que a vida é boa, e a alegria, a única indizível emoção. 
A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranquila. E tenho tudo para ser feliz, mas acontece que eu sou triste...Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza, é só tristeza e a melancolia! Tristeza não tem fim, felicidade sim.
Foi então, que da minha infinita tristeza aconteceu você, encontrei em você a razãoAssim como viver sem ter amor, não é viver. Todo tipo de amor.
O amigo: um ser que a vida não explica, que só se vai ao ver outro nascer, e o espelho de minha alma multiplica, no entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida...Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo, não traz o exaspero das lágrimas, nem a fascinação das promessas, nem as misteriosas palavras dos véus da alma...É um sossego, uma unção. Num tempo, meu tempo. Nasço amanhã, ando onde há espaço: – Meu tempo é quando.
E a coisa mais divina, que há no mundo é viver cada segundo
Como nunca mais..


(Trechos reunidos de sonetos, poemas e textos, por Vinicius de Moraes)