06 dezembro, 2012

Saudando a saudade.

Saudade, saudadezinha, saudades no plural ou saudade no singular. Sempre saudade.

Saudade de cheiro, de gosto, de olhar, de vida e de pensamentos que tive e não tenho mais.
Pior ainda é quando sinto falta de pensamentos e coisas que ainda não vi, hora por deixaram de acontecer ou simplesmente porquê ainda estão por vir.
Fato é que saudade tem o mesmo nome pra todos, mas o sentido real dessa palavrinha que por vezes abrange uma galaxia inteira de tristeza, e a forma com que ela se abate em cada coração é totalmente diferente, unica e impossível de ser entendida mutuamente. Pense que cada um não vai sentir nada do mesmo jeito que você, é completo equivoco se dizem que te entendem. Você que sente, você que entende a sua intensidade e é você que se cura. Só é necessário uma mão por vezes, um apoio sempre é útil, afável, ajuda a suportar, de vez em quando é um passo no solado da porta pra dentro de você, porem sempre o trabalho interno é você quem faz.
Uma lagrima, a fumaça do cigarro nevoando, o desamor de uma folha de papel amassada, uma fruta mordida largada sob a mesa, o meditar profundo do sono, a bebida quente arranhando a garganta, ou o fingir de um riso fugaz, qualquer um destes todos se tornam um refugio pra fugir do bar de esquina, que toca blues e é regado de saudade.
Fugir não adianta, não alivia, faz parar... como é possível fugir da saudade? Fugir de algo que tu nem sabe onde se encontra? Fugir de você em pó? Enfrente-a, sinta-a e consequentemente a deixe partir se for necessário. Deixe-a, pois a saudade uma hora vai, sozinha, descalça, feliz pois seu estrago já foi feito e superado.
A tristeza causada pela saudade em algum momento se torna um vicio, parte de você, e obviamente vícios causam danos, são difíceis de manter e de ir embora.

Não sei se tenho saudade de algo agora, vivo uma fase de sopros de brisa no meu rosto, brisa acho que tal merecida e que me faz salivar pela vida...talvez exista em mim a saudade do "mais", do que me espera, muita saudade misturada com vontade de dias azuis, musica boa, amigos presos em meu colo, cheiro de café e sorrisos frouxos como hoje, como amanha e depois. 
Contava-se a um tempo atras que saudade é invisível. Descordo, sinto verdadeiramente a saudade quando ela me atinge, desconcertadamente apalpável -mesmo sem saber onde- como se pudesse mastiga-la, e isso já basta, isso é melhor do que conseguir ver a sua face amargurada, e sim, não consigo imaginar a saudade pura em beleza, bonita de verdade. Só a saudade boa, a que instiga e te dá frio na barriga, talvez essa sim seja bela, de traços parecidos com aquela tarde juvenil com os mais chegados, ou de olhar semelhante aquele beijo que grudou na tua cabeça. Formosura composta de lembranças boas. Essa deve ser linda de sentir.
Entendem a saudade, errado, não á entendem, somente a sintam, a enfrentem e se consolidem sobre ela da melhor maneira que puderem, seja ela "boa" ou "péssima", sangrenta demais, ou suave demais.
Ela é cruel, resultado da ausência do objeto a que se prende, e não hesite em larga-la ou senti-la, porque não haverá pena em nenhum caso...Como se pode ter raiva de quem nasceu e apenas faz o que foi criado pra fazer? piedade a você saudade, que foi criada pela distancia e nem sabe o que é capaz de causar em demasiados humanos como nós.

Corte barreiras, anseie o melhor e o que te move, adiante o depois, decrete morte a saudade.


27 novembro, 2012

Um exemplar, varias prateleiras.


Um livro, velho e escancarado pra quem tem a chave, reconhece a chave ou apenas á ganha por ganhar. Travado apenas pelo cinismo de quem acha que possuí o saber.
Abismado com a falta de amor e a facilidade de amar, intensificado com o tamanho da colisão que as coisas podem se abater em você, muito boas ou muito ruins.
Um livro não caro, livro por vezes de antiquário, com seu minimo valor e alguns rabiscos veementes em meio a paginas amareladas de tanto foliadas, fodidas e arregaçadas, que fazem alguns criarem apreço.
Livro solto e quase sempre oco, oco e cansado de entender um enredo que pra inúmeros só deus pode conhecer. 
Esse livro peca um pouco de cada pecado, um pouco e um bom bocado em nome da melodiosa musica que chamam de existência, a verdadeira eu digo. Acredita-se que a mesma melodia distorcida por hora, canta e faz valer a pena se você deixar. 
Os motivos de paginas tão decadentes e cheias - de acordo com mentirosos- venustidade, são o tamanho dos seus mergulhos profundos e corajosos na historia, nas palavras, frases e entre linhas do mesmo livro, tal compartilhando sem medo a sua grave escrita, deixando mudar o roteiro e o sabor, mudando a cada mergulho, transcendendo a si mesmo por amor á se jogar de cabeça na vida. 
Livro repetitivo e cheio de rostos iguais, um nariz, dois olhos, e uma boca completando com dois ouvidos que quase sempre não servem de nada, esse somos os livros. Diferentes em um mundo grande, talvez, mas parte do igual, do modelo, sem nenhuma mera exceção.
Livros metódicos e livros livres, livros de 10 paginas ou 600, sem alterar a essência por seu tamanho, significados diferentes, só. 
A mais curiosa parte, são os livros padrões, que condenam literaturas distintas como se fossem abismos no paraíso. Dogmáticos e cheio de olhares nada gentis, esses mesmos se julgam perfeitos e de religião impossível de não ser seguida, abolindo ate das ruas quem apenas quer a cura pros teus porquês. Mentira deslavada e encurtada essa deles, limitados pelo modo conservador de enxergar. Se pudesse pedir, pediria a eles apenas uma chance de pensar,  e ler, repare que não digo AGIR, só pensar que cada qual é como é, sem tirar nem por, e que temos o direito de tudo enquanto isso não afeta o próximo.
Muitas linhas são escritas sem rumo e perfeição, apenas são, e vão e vão... Sempre á sorte pra quem sente veracidade em escritas excêntricas assim. 
Não há segredo nisso. Cada livro sabe as paginas que possuí. 
A questão é que livros são livros em qualquer lugar, e a sempre a necessidade de lê-los, entende-los e come-los vivos, ou em quaisquer tempo ama-los. 
Só sei que são de carne e osso tanto quanto eu, há sangue meu correndo neles. 
Eu sou este um, assim como você, assim como nós. 

19 novembro, 2012

Um lado de antes, agora obsoleto.

Por vezes passei o dia subvertendo pensamentos, buscando em algum lugar limpo, um fio de cabelo que me lembre como era bom viver o outro lado. Nada encontro, á não ser ecos. 
Tantas lugares busquei, tantas colinas caminhei, confundindo frio com chuva e chuva com frio, abrandando o que vocês chamam de vida por um nome.
Errante descobri que cada qual tem um valor, significado e veracidade. 
Certa tarde ela ouviu em sua cabeça: "Difícil pensar que algo nele me lembrava o som claro de uma manha de novembro nascendo", e em seguida "algo nela soava como sussurros doces do vento no inverno", no fim algo dos dois personagens completavam o resto de um coração. 
Parte de um tudo ao mesmo tempo, eles faziam, de um tudo arcaico. Difícil pensar nesse mundo de antigamente, tão distante; esse mundo que pra cada um muda a cada por-do-sol. 
Anotei comigo que quem faz esforço pra lembrar, tem vontade é de esquecer. E em algum momento isso fluiu e se foi, dignamente não, mas; lento, denso, cheio de sabor e pesado demais pra ser carregado por um só, como sempre foi, tinha de ir. E agora respiro. 



07 novembro, 2012

Expandir o oculto

Abrir a mente em um dia, pular de paraquedas e morrer no outro.
Sempre quando dizem para "abrirmos" as nossas mentes, levamos no sentido quase literal. 
Abrir a cabeça e enfiar com a ajuda de um bisturi uma ideia do "novo" dentro das entranhas. Algo torturante não? na teoria também é assim.
O pior de tentar agir desta maneira, é que doí tanto quanto se fizéssemos no sentido realmente literal. 
Abrir a mente não significa, pular de paraquedas, dar na cara do seu chefe, falar tudo que pensa pra todo mundo sem nenhum pudor, beijar trocentas pessoas em uma noite -ambos sexos- mesmo sabendo definitivamente qual a sua opção sexual, com o proposito somente de afirmar que você é "Cabeça aberta pra tudo". Errado na minha visão.
Saber ouvir opiniões contrarias as suas, tentar entender, aceitar, e tirar alguma coisa boa pra si é um bom começo para se ter uma mente aberta. Esqueça o que acha saber, e saberás mais do que acha capaz de entender. E se libertar também. 
Não precisa cometer nenhuma ação; diga-se de passagem, mal pensada pra se auto-afirmar.
Alias, fica a dica, quem não se auto-afirma demais tem possibilidades maiores de ser e entender muito mais que outras pessoas. Falando o bruto do oficio, o ditado condiz com ideia que quero passar ; "Quem se acha demais, sobra, e tudo que sobra vai pro lixo."
É necessário abrir a mente, expandir o invisível, abandonar a bussola dogmática, mais conhecida como "O que você acha ser o certo" pra chegar perto de uma mente saudavelmente ampla. 
Quem és tu pobre leitor, que tem o poder de medir o paradoxo que é a vida? Que peso tem suas ações? Bendito seja Sócrates, "Só sei que nada sei"!
Libertar as amarras da mente e conseguir pensar em determinados assuntos sem o preconceito habitual, esquecer um pouco a moral social imposta desde a infância e criar um universo paralelo a isso, é quase tão complicado como se tornar um total anarquista, eu entendo. Mais nada é impossível, um homem pode ser constituído por ideias, e ideias meus amigos, são a prova de balas. Uma vez destravada, a menta vai além do horizonte.
Tudo o que eu mais queria era viver em um mundo onde beijar uma garota ou um garoto não significasse ter um rotulo, ser contra a maioria não te tornasse minoria, fugir atras de um sonho que pra sua família pareça fugaz não te faça um "sem juízo";
Simplesmente onde eu não precisasse me tornar um mártir e escrever um texto pedindo um pouco mais de compreensão pra quem vive com a cabeça trancada. 

29 outubro, 2012

Calçando as Sandálias

Poucas coisas me estimulam a escrever. Percebo que devo buscar minhas sandálias assim como a escrita.
Como já disse a preguiça é um estar em mim. Mais elas estão tão longes as benditas sandálias.
E muitas vezes tenho verdadeira desvontade de explicar o que em um bocado de palavras muitos não entenderam uma só linha. Sim, duvido da capacidade de muita gente. Onde será que as minhas sandálias estão? será que alguém sabe onde esta? Será que alguém vai encontra-la na bagunça de minhas palavras?
Distorcem e tornam como objetos pra si próprio a ideia que quis passar, mesmo isso por vezes sendo o proposito, mais não da forma correta, a forma que faz bem. Acho que as minhas sandálias desaparecidas devem ser doadas a alguém, a um menino talvez, e compartilho sem medo as tais. Tornam o que era livremente fluido, em algo que se encaixa em seus parâmetros de vida, para lhe favorecer. Errado. O pódio de chegada é o entendimento do que se deve fazer para se fazer aprender, não tomar como vantagem entre outros e se favorecer como pessoa! Lhe dou as sandálias para caminhar, não o mapa pro teu lar guri. Talvez seja ciumes de minhas ideias, da minha sandália..Soa contraditório não é? mesquinho até? Alguém que se expõe e tem ciumes do que expõe?! Dogmático demais pro meu gosto.
Isso é ser humana, cheia de defeitos. Não se esqueça que sou quase de carne e osso como você ai sentado.
Por isso o tal bloqueio de criatividade aparece dez vez em quando. Em pouco tempo percebi isso...E aceitei, afinal se eu não aceitasse a mim mesma, quem eu seria?
Descubro sozinha que sandálias devem ser doadas, e ao mesmo tempo não deixarem de fazer parte de mim. No fim, á sempre pares novos a serem calçados.

Escrevo o que sinto e talvez o que sou, por isso escrever sobre coisas fúteis que me perturbam é o caminho para algo melhor do que o agora é pra mim. 


Alivio é sentir meus pés abraçados por uma sandália qualquer.




27 outubro, 2012

Ponte e Abismo

Frustrações e seu sabor paralisante. Devemos reverter a paralisia ou se entregar. Não há meio termo.
Porque há tanta frustração no mundo? e porquê diabos incessantemente insistimos em culpar alguém desse ferrão maldito?
Errado quem pensa que só os filhos da puta merecem tal amargura. Maybe.
Humano que é demasiado humano tem que passar por essa coisa, essa ponte velha e enferrujada que te ameaça cair no abismo a cada passo sucedido da mesma. É preciso enfrentar este caminho errante deixando pra trás a velha ponte triste, tentando superar o medo de pisar em falso novamente, se perder. Ou isso, ou não viver. Difícil mas não impossível.
A frustração faz parte do ciclo de vida da maioria dos sonhadores, idealista ou qualquer porra de pessoa que pense demais no que é, no que foi e no que será desse mato-sem-cachorro e incrivelmente divertido por vezes, chamado VIDA.
Uma xícara á mais de simplicidade em viver, e verá que a incógnita vulgo felicidade se multiplicará momentaneamente. Quando alguém achar o ingrediente "simplicidade" me avisem por favor. Talvez isso seja um dom de pessoa para pessoa, e não um ingrediente. Temo não ter esta dadiva, como muitos.
Tão certo quanto o fim do mundo, você vai acabar tropeçando na ponte velha selada por um abismo imenso.
Pessimista não? não. É Só um aviso, pois a maioria do mundo, generalizando, não sabe lidar com essa situação. Nem quem vós escreve. Outra receita inexistente.
Acontece que nada nem ninguém vai ser exatamente do jeito que as profundezas do seu cérebro sonha.
Mania ruim que todo mundo tem de achar que os outros podem ver, ser e ter a mesma percepção de um tudo igual a você. Isso é uma das estradas para chegar a minha velha conhecida ponte ou frustração, chame do que quiser.
Cuspir a verdade de forma assustadora aos outros é a tarefa mais difícil que pode existir para "fugir" da frustração, como eu já disse é impossível evitar esse deleite, DEVE acontecer, não com tanta frequência  pois de uma certa forma algumas coisas podem ser banidas de ocorrerem, enfim é natural saudável e por hora ensina...Além do mais, como fazer as pessoas enxergarem o mesmo que você? Outra impossibilidade. Tem-si o dever de ver só, o que é obviou para alguns.
Frustração é uma porta sem chave de abertura ou fechadura. Talvez o tempo seja o cadeado disso tudo. Talvez só mais frustrações possibilitem que essa porta se mova negativamente ou positivamente.
A unica coisa que me arrisco a dizer, é que a realidade crua e nua dos realistas, pode ser um par de asas pra voar sob a velha ponte e o cruel abismo.
Pena que minuto após minuto se desaprende a aterrissar.






18 outubro, 2012

Musica é vida

Na minha concepção muitas coisas que gostaríamos de dizer são passadas através de alguns trejeitos, ou hábitos. A musica é um porta voz de uma forma abrangente pra isso e pra muita coisa.
Na musica, versos ligeiros são capazes de transcender um milhão e meio de sentimentos.
A capacidade de parafrasear com sentimentos invisíveis e unificar tudo isso em uma melodia, é uma dadiva ganhada pelos deuses mais lindos.
O humano é verdadeiramente covarde e sempre vai usar uma válvula de escape pra demonstrar aquilo que os olhos leigos não sabem ver. Por vezes a sua necessidade natural de se expressar de quaisquer forma, não supera a covardia e o medo da represaria em relação ao que sente e pensa. Por isso a musica, cada qual entende a musica e a arte da forma que quer, dizendo aquilo que deseja sem dizer realmente. Esquecendo que as vezes que o que o "alguém" quer mostrar, não vai ser exatamente o que o "outro" vai ver, ou entender. Mas mesmo assim fazendo, vivenciando a musica.
Paradoxo.
Eu sempre cometo este pecado, esperar que os outros vejam da mesma forma que eu. Isso me torna dogmática as vezes. Até nas musicas.
O importante é que a musica entende aquilo que não falamos ou não temos coragem de falar, ou pensamos ocultar o real sentido na letra de uma melodia qualquer.
Por horas simplesmente gostamos da musica, do som e batida, ignorando um pouco isso de "toda musica tem uma mensagem especial para tal". Isso pode ser melhor que nostalgia.
Musica sintoniza a inconsciência do ser com a realidade dos acordes, pode acalmar ou provocar um terremoto dentro de um ser.
Pode ser a cura, ou o golpe de misericórdia.
Pode ser você e as suas palavras atrofiadas.
Pode ser o que você precisa ou é.
Pode um tudo.
                                     








08 outubro, 2012

Oração ao tempo


(...) Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo... (...)

Caetano Veloso.

05 outubro, 2012

O Nirvana


Talvez seja a minha banda favorita, minha, e de mais uns milhões. Talvez eu só escute demais. Não conheci sozinha, mais sou grata a quem me apresentou, umas das melhores coisas que já fizeram por mim.
Pra falar de Nirvana, primeiro temos que saber o significado do nome.
Começo a gostar de Nirvana, desde a escolha do nome. De acordo com a concepção budista, o Nirvana seria uma superação do apego aos sentidos, do material e da ignorância; tanto como a superação da existência, a pureza e a transgressão do físico. O "estado nirvana", é como conseguir atingir uma pureza em esprito, de calma, libertar, se ir além do que se vê, dá forma física.
Lindo não?
Certa vez Cobain citou:  "Eu queria um nome que fosse uma espécie de bonito ou agradável e bonito em vez de um nome punk rock mesquinho, obsceno como Angry Samoans."
A banda foi fundada por Kurt Cobain e Krist Novoselic em 1987. Com o tempo eles acabaram popularizando um subgênero do rock alternativo, o Grunge. Grunge pra quem não sabe, caracteriza-se por bandas que elevam nas doses de sarcasmo e angustia, tratam de assuntos delicados, das vontades, liberdade, alienação social, o confinamento do ser humano em si. Geralmente negam-se a fazer toda aquela aparição de rock star. Muita gente não entende esse estilo, e por não entender, acha que não gosta.
Depois de "Smells like teen Spirit" o Nirvana explodiu, de desconhecida passou a ser a principal banda da Geração X, tornou-se porta voz de uma geração que crescia rapidamente pós a segunda guerra mundial, jovens que dia-após-dia, respeitavam menos os pais, viviam o medo do futuro incerto, não tinham muita fé em deus, jovens que não achavam errado transar antes do casamento ou odiar a Rainha Elizabeth ll. 
Tudo isso soou errado para Kurt, não era essa a mensagem que ele queria passar. Ele parecia odiar realmente toda a atenção que recebeu, quando lhe deram este rotulo. Logo veio o álbum "In Utero", mudando pra alguns a percepção da banda. 
O jeito que o Nirvana toca é o que mais me encanta. O contraste incrível que uma unica musica pode ter, perdida em meio á versos calmos e simples, intercalando com uma grande barulheira, e um refrão extremamente pesado. É um padrão frenético. As letras completam algo que parece não poder ficar melhor. 
Na minha playlist pessoal, facilmente você encontrará, The man who sold the world, All apologies , About a girl, In bloom, My girl, Polly, Lithium, Something in the way, Rape me, Come as you are, e com toda certeza Smells like teen Spirit. Minhas prediletas. Recomendo.
Impossível falar de Nirvana e não pensar em porquê diabos Kurt teria que tirar a própria vida. 
Será que ele não tinha ciência do que a morte dele era? O Vicio em heroína junto com a depressão acabaram com o gênio? A imagem publica era muita pressão para o desde sempre atordoado Kurt? O casamento com C. Love o destruiu?
Não sei, um mistério.


 A unica coisa que surge em minha mente é que ele realmente não sabia lidar com a própria vida, a sua arte. 
Ou talvez ele tenha ido além demais de si mesmo, pra voltar atras. 
Mais isso é só com ele. Não o tenho como um egoísta, do tipo "Ele nos privou de toda a sua arte", porque afinal a vida era dele. Pelo contrario, fico feliz dele ter deixado um legado tão magnifico pra tanta gente. 
No final de que adiantaria poder ver um show ao vivo de Kurt, em cima da infelicidade do cara? Melhor ele morto e feliz por ter feito o quis da própria vida. 
Só Lamento, talvez as coisas pudessem ser diferentes. Não sei mesmo.

Pra quem realmente sente, o Nirvana nunca deixou de existir. 





Com vocês, The man who sold the world  

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04 outubro, 2012

Sonho nosso de cada dia.

Cada pessoa tem um sonho. Cada um com as suas características, envolvendo pessoas, ou metas, regendo a vida, cada um com a sua cor, tingido do mais profundo desejo que alguém pode ter.
Uns acham que tem sonhos comuns, outros acreditam ter sonhos quase irrealizáveis.
Odeio este papinho, "Quem acredita sempre alcança", Renato que me perdoe.
Acreditar não basta, acreditar não é o suficiente para o seu sonho se realizar. Dá nojo ver o comodismo de certas pessoas, colocando toda a fé do mundo nos seus sonhos, mais sem mover um milimetro para estar mais perto do paraíso que é ter um sonho realizado. Esqueça, sua fé não vai mover montanhas. Balela, bobeira. As montanhas vão continuar lá, perfeitas, imoveis, então é melhor você se apresar se quiser atravessa-las.
Não levem tudo a risca, é necessário sim acreditar, botar fé. Não seja incrédulo, mais saiba medir a sua realidade. Não se deve jogar toda a responsabilidade das tuas realizações em algo impalpável.
Olhe para a palma da sua mão, atenção, isso que você está vendo, isso sim realiza sonhos. Você.
Aprenda que se seu sonho vale a pena, seja ele qual for, trabalhe, lute, tome atitudes, fale, defenda, sacrifique coisas e momentos por ele, vai ser recompensador.
Tudo que vem fácil, vai fácil. Por isso se quer ser uma pessoa realizada, espere dificuldades.
Inúmeras coisas, que por vezes já possuímos e não damos valor no momento, podem se tornar sonhos futuros. Acho que esse é o pior tipo de sonho que pode existir. Voltar a realizar algo que você já viveu. Pra mim, soa quase impossível. Desculpe o desencorajamento, mais a realidade é que as sensações de cada momento da sua vida são diferentes e quase nunca se repetem. São mutantes. Mudam pra melhor ou pra pior. Mudam como a gente. O erro do ser humano é não aceitar a mudança, não aceitar o inevitável.
Sonhos de amor, matérias, sonhos simples, sonhos grandiosos, sonhos de criança, sonhos doces e amargos, sonhos sem nexo. Em mim cabem todos os sonhos do mundo.
Muita gente acredita que é na velhice que se descobre todos os sonhos realizados ou não.
Discordo. Acho que a melhor parte de sonhar, é o processo que corremos para realiza-lo ou não. O gostinho de vitoria na boca, de estar perto, o cheiro de estar satisfeito. Melhor coisa não há.
A gente descobre a realização, enquanto ainda vivemos o sonho. Só de caminhar pra isso, já vale.
E quando chegamos então, nossa, é esplendido. Até não ser mais suficiente, e você mudar o destino da sua caminhada de novo, pra mais longe talvez.
E assim vai e vai, indo sempre sem pódio de chegada.
Falta entender que alguns sonhos foram feitos pra nunca serem realizados, pra ficar na mente somente, por mais arduamente que possamos desejar aquilo, lute e trabalhe por isso. Muitos param de sonhar por toparem com estes tipos de sonhos. Ai está o erro. Sonhos são o combustível da alma. Sem eles, não há pelo o que viver.
Outros sonhos parecem tão simples, - que maktub; "já estava escrito" -, tanto que soam como apenas sonhos. Tem que se beliscar pra saber se é verdade, se conseguiu realmente atingir aquilo. Tão real e fora da realidade ao mesmo tempo. Sorte dos que vivem isso.
Se fosse possível desejaria só o realizável. Mais se não fosse da forma que é, não teria graça.

Sonhar pra mim, é tornar tudo que parece impossível no momento, em perfeita realidade futura e com um dedinho de sorte, bem próxima.


Carpe diem.


01 outubro, 2012

Dente-de-leão

O dente de leão está relacionado aos sonhadores. As pequenas partes da alma.
Pois, assim como os sonhos, ele se dispersa sem rumo a todos os cantos, toda vez que o vento ou nós mesmos nos esforçamos em despedaça-lo.
E como um milagre, nasce justamente de sua enorme fragilidade, é capaz de se multiplicar e crescer forte onde lhe for permitido ficar.
Do contrário, mais uma vez se despedaça e, novamente, torna a se multiplicar.
Nossa alma é como eles.
Meliflua. É cheia de ligações complexas e vontade de ir longe.
Voa sem ter asas. Nunca são iguais, e facilmente se perdem de tudo.
Em mim, assim como no dente de leão, tantos uns, tantos todos e tantos outros, todos juntos ao mesmo instante







Viver é deixar viver.

A vontade do tudo.
De ter, de ser.
O amanha não pertence a mim, e o agora não pertence a ninguém. E o único desejo que tenho, é que esse tempo sem dono, passe. Eu não vou, mais o tempo vem. Passe não porque o presente é ruim, mas porque viver o futuro, -nem que seja daqui cinco minutos- é como matar a minha fome, absorver, entender, explorar, ganhar. Me sinto mais próxima. Do quê? não sei.
Deixe-me isolada e morrerei de inanição.
Viver qualquer coisa, viver a textura das paginas de um livro, viver o som do riso das amigas, viver a sensação da noite bem dormida, do abraço sincero, viver o ar entrando nos pulmões, viver o gosto do rock in roll na minha boca, viver esse perfume de café tomando a minha alma, viver meu sorriso preferido. Viver qualquer coisa. Viver a personalidade rompendo os olhos no mais inesperado momento. O vermelho tingir os pensamentos, quando somente quero aproveitar o momento, sem depois pra pensar. Viver qualquer coisa.
Procurando o inacabado, vivendo rascunhos, guardando textos perfeitos para quem não sabe ler. Sempre indo e vindo, seguindo o fluxo do eterno, que é mastigar sentimentos. Perdendo mais do que devo ganhar, porém, vendo mais do que os outros podem ver, é como tudo é.
Se eu fico é porquê quero, se eu vou é porquê devo. Ninguém tem manual de instruções, e se por acaso alguém pudesse ter, ninguém saberia ler o seu, o meu, o nosso. Se conhecer é como aprender uma linguá estrangeira sem ajuda nenhuma.
É como um bicho solto, louco, sem destino, ou hora de partida, vivendo atras das tuas orelhas, sussurrando coisas que te assustam, mais que no fim você já conhece, pois isso é apenas você.
Há quem busca viver aos picos, o máximo da palavra VIVER, viver a grandeza, a loucura, a insanidade. Há quem diga que estes não sabem de nada. Quem está certo? não pergunte pra mim.
Viver aos mínimos, viver coisas pequenas, -"Quem me dera ao menos uma vez, que o simples fosse visto como o mais importante"- como admirar a simetria da rua que você mora, ou o timbre da voz da sua mãe, poder uma vez na vida sentir o halito nobre de um bebe recém-nascido. Viver qualquer coisa.
Viver e poder parar pra ver como você está sentado agora..parar pra se olhar no espelho, olhar o que você era, o que é, o que você vai ser. Parar. P A R A R. Pare, pare com tudo, respire, sinta o oco, e viva o silencio.
E só sei que vivo. Vivo, ou tento, tudo o que há pra viver.



30 setembro, 2012

Eu, aonde está você?

Sem nome, sem rosto, sem reclamações. Morada ou identidade.
Um coração apenas cansado de estar. Apenas afogado em suas próprias lagrimas, lamurias, luxurias... Devaneios tolos e todos. Vagando artéria por artéria, consumindo toda esperança do não estar. Do não sentir. Do não querer. Do inexistente.
O vazio é um estar em mim
Não há nada além de mim aqui, eu sinto. Mais o costume da existência de sentimentos, causa o vicio de nunca se sentir só dentro de si mesmo. É assim que sou. 
Já estou cheia de me sentir vazia.
O vazio me desrespeita, me maltrata, deixando fluir hora sim, hora não. Às vezes fico feliz de poder me encontrar em lembranças, passadas ou futuras. Horas é melhor nem nascer.
 Os maiores vicios que alguém pode ter, é o de sentimentos.
O vicio de querer se sentir completo, o vazio sem vazio nenhum.
O vicio de felicidade, de amar, de querer sem saber o que quer, esperando alguém ou algo que caiba no seu sonho.
É errado pensar que alguém pode ter a cura pro teu vicio.
Não queira alguém que te complete, queira alguém que te transborde.
Isso tudo é reflexo de não saber quem é o seu eu verdadeiro. É o mau de quem não se encontrou ainda.
Completar-se de si mesmo, é a chave. Com o tempo -longo alias, para quem sempre teve a tendencia a isso- eu reconheci. Confesso que ainda sou desconhecida por mim mesma, não nego, mais tenho que entender que está situação é um ciclo vicioso de se compreender. 
Ame-se, conheça-se, sinta-se, veja-se, duvide. Tinja sua vida de sua essência, de sua própria cor, procure-se, deseje e seja o que você é ou acha que é, pensa e sente, pelo menos de vez em quando. Faz bem a alma, Liberta.
Depois de conseguir isso, verá que “o sozinha dentro de si”, não é tão só quanto pensa, que em você a muito mais do que apenas você, e que depois disso, amar será mais simples, calmo, com sabor de fruta mordida.
Conheça-te a ti mesmo. Torna-te o que tu és.
Seja no silencio do teu quarto, na inconstância do rock n’roll, no sono, na brisa de uma tarde de primavera, nas paginas de um livro, no beijo daquela pessoa. Encontre algo. Saia de si, e volte mais tranquilo. Priorize aquilo de melhor que você pode fazer a si mesmo, e faça, porque o resto com o tempo a gente aprende.
Nada é fácil de entender. Aceite isso antes de qualquer coisa.
Egoísmo. O máximo de egoísmo que alguém pode ter é tentar se achar, um equilíbrio, é muito tempo refletindo sobre você mesmo. É o primeiro passo. Esse egoismo bom, é a sua grande sacada.
Doloroso, - como amar e não ser amado -, é viver uma vida insatisfeita em busca de algo que não se sabe o que é. Atrás do invisível e intocável. Procurando de par em par, sem saber aonde se abrigar. Se contentando com o volúvel, o material, e sentimentos fugazes. Então se mova. Saia do comodismo que você criou para si. E vá buscar a resposta lá dentro, conheça “o eu”.
Viver será mais divino, compensador ou qualquer adjetivo bom que você conheça, depois disso.
Ou pelo menos você terá tentado.
Afinal, o que vai te completar de verdade? A Felicidade? O amor? Seja lá o que for... Isso tudo está contigo. Em ti. Ou pode começar dentro de você.
Como esquentar o coração de alguém, se nem mesmo você sabe de onde vem o teu calor?
Um cego quer ver, o faminto quer matar a sua fome, o homem que sente frio quer se aquecer , e você?
O que você quer? O que você sente é real? Quem é você?



 Pense.


Enfim, o início.

Eu relutei muito quanto a ideia de ter um blog.
Primeiro porque realmente tinha preguiça, e segundo porque ter um blog implica em ter que escrever, e escrever, pra mim, nunca foi uma obrigação. Só escrevo quando sinto. Sinto as palavras, sonoras, cada silaba misturada a mim, mergulhadas na minha voz, palavras agitando o meu estômago.  E como isso tem acontecido com mais frequência do que nunca, decidi que era hora de parar com a relutância.
Mudei a forma de pensar.
Ter um blog é mais complicado do que parece.
Não simplesmente pelo medo de se expor, pelo contrario, pelo medo de me IMPOR.
Impor ideias, sentimentos, qualquer coisa que eu não tenha certeza. Por que sim, eu não tenho certeza de nada.
Pode ser clichê agora, mas total verdade -obvia e nova- para Sócrates no momento em que falou a épica formulação "Só sei, que nada sei", me fez pensar.
Como posso escrever sobre algo que nem eu mesma tenho certeza?
Torno a dizer que não tenho certeza de nada nessa vida.
E isso me torna aberta a conhecimento, a minha duvida de um tudo.
Por isso o meu receio, receio de me contentar com os textos do meu pequeno blog. De começar a acreditar realmente no que escrevo e tornar a verdade das minhas palavras incontestáveis. Medo do dogma.
Mais uma barreira que consegui transcender.
Consegui ultrapassar esse medo através dele próprio. Usando o medo da ignorância como motivação pra escrever aqui. Que especie de criatura eu seria se me limitasse a não ter um blog, pelo simples medo de me limitar? continuaria fechada nisso, sem sair do lugar.
Eis os motivos. Agora chega de porquês.
O nome do blog "Je séme á tout vent" tradução do francês, "Eu semeio todo vento" Era o lema de
Pierre Larousse, o cara das enciclopédias. Procurei saber. Me conquistou  assim que li. O cara era foda.
Desde essa frase, que encontrei por acaso enquanto via uma imagem de um dente-de- leão (uma flor pra quem não sabe, linda e significativa por sinal) , iniciei uma viagem pelo oculto. O oculto do estar, dos sentimentos, do eu, do nós, do infinito que é existir. E até agora vivo em meio á rascunhos, incertezas, e filosofias. E gosto, e quero sempre mais.
Não chego nem perto da perfeição, e das minhas criações não espere o mesmo.
Sou humana, demasiada humana, como todos.